#21 MUDANÇAS CLIMÁTICAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Quando se trata do aquecimento global e das mudanças climáticas, as opiniões de especialistas no assunto são muito diversas, tanto sobre a existência quanto sobre suas causas e consequências. Evento natural ou consequência do uso desenfreado de recursos naturais? Além da alta emissão de gases tóxicos na atmosfera. A certeza é: está gerando graves consequências para o planeta e toda forma de vida nele existente.
                                                             Fonte: goo.gl/TpJsts

O  IPCC (2001), no seu Terceiro Relatório de Avaliação (TRA) chegou a conclusão  que a temperatura média da atmosfera tem aumentado de 0,2°C a 0,6°C, variando de acordo com a região, no século XX. Modelos globais gerados pelo IPCC mostram que entre os anos 1900 e 2100 a variação da temperatura do planeta pode chegar de 1.4 a 5.8ºC, um aquecimento mais rápido do o que fora registrado no século XX, e que não foi identificado nos últimos 10.000 anos (MARENGO, 2006).

O aumento da temperatura média do planeta pode trazer problemas como o derretimento das geleiras e calotas polares (que leva ao aumento no nível do mar inundando áreas habitadas) e o aquecimento dos mares (que pode levar a extinção de diversas espécies, como por exemplos os corais que perdem sua cor e forma).

                                                        Fonte: goo.gl/iJ9Cam

Com a manutenção do padrão de emissão dos Gases de Efeito Estufa (GEE), a probabilidade de mudanças climáticas de alta magnitude nos próximos 100 anos é considerável. No Brasil, as principais ocorrências são as modificações nos padrões de chuvas, aumento da temperatura, eventos como secas, inundações, geadas, vendavais, granizo, etc. Tais variações, juntamente com o aumento do nível do mar, trará sérias consequências para os ecossistemas e populações do país, consequências essas ainda bem incertas (NOBRE, 2001).

                                                           Fonte: goo.gl/pF21uf

 

                                                           Fonte: goo.gl/mbKKDB

 

                                                            Fonte: goo.gl/SojVcy

O Brasil dispõe de 12% da disponibilidade mundial de recursos hídricos (GEO Brasil, 2007). Essa disponibilidade depende de vários fatores, como temperatura, ciclo anual de chuvas, variabilidade do clima, vazões entre bacias, de fenômenos como La Niña e El Niño, e da temperatura da superfície do Atlântico. Os riscos trazidos pelas mudanças climáticas tem gerado grande preocupação, pois juntamente com os fatores naturais, podem trazer sérias variações na disponibilidade de água e fenômenos como secas e inundações (MARENGO, 2008).

Uma das maiores biodiversidade do planeta é encontrada no Brasil, a qual está ameaçada pela devastação dos biomas, pelo aumento das mudanças na temperatura, pelas secas e inundações, já que muitas espécies necessitam de um ambiente específico para conseguir sobreviver, daí, com a modificação desses ambientes, os animais e outros organismos menos resistentes à mudanças severas encontram-se ameaçados, problema este, encontrado em todo o mundo.

Fonte: goo.gl/gGQo5v

As mudanças climáticas também podem trazer incertezas sobre as condições de saúde. As doenças de veiculação hídrica, doenças respiratórias e doenças transmitidas por vetores são as mais acometidas (ARTAXO, P. et al., 2009). Em países onde os sistemas de tratamento de água e efluentes não são eficazes, ou não atendem toda a população, essas doenças já demonstram alta prevalência, aliado a isso as mudanças causadas pelo aquecimento global podem aumentar a incidência das mesmas (ISAAC-MARQUEZ et al., 1994).

Pode-se perceber como as mudanças climáticas afetam o planeta e a sua população, de fato, grandes problemas podem advir dessas mudanças, e outros tantos podem ser agravados. Ações para prever, avaliar e mitigar essas alterações são necessárias e urgentes, o planeta pede socorro.

 

 

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Referências

 ARTAXO, P.; BARCELLOS, C.; CARVALHO, M.S.; CORVALÁN, C.; GURGEL, H.C.; HANCON, S.; MONTEIRO, A.M.V.; RAGON, V.; Mudanças climáticas e ambientais e as doenças infecciosas: cenários e incertezas para o Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde, n 18, 285-304. Brasília, 2009.

CONTI, J. B.; Considerações sobre as mudanças climáticas globais. Revista do departamento de geografia da USP, n16, 70-75. São Paulo, 2005.

GEO Brasil 2007. Recursos hídricos: componente da série de relatórios sobre o estado e perspectivas do meio ambiente no Brasil. / Ministério do Meio Ambiente; Agência Nacional de Águas; Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Brasília: MMA; ANA, 2007. 264p. il. (GEO Brasil Série Temática: GEO Brasil Recursos Hídricos).

ISAAC-MARQUEZ, A. P. et al. Calidad sanitaria de los suministros de agua para consumo humano en Campeche. Salud Pública, Mexico, 1994.

MARENGO, J. A. Água e Mudanças Climáticas. Estudos Avançados, n 22, 83-96, 2008.

MARENGO, J. A. Mudanças climáticas globais e seus efeitos sobre a biodiversidade: caracterização do clima atual e definição das alterações climáticas para o território brasileiro ao longo do século XXI. Brasília, 2006.

NOBRE, C.A. Mudanças climáticas globais: possíveis impactos nos ecossistemas do país. Parcerias e estratégias, n 12, 239-358, 2001.

 

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Edição: Agosto 2017.                                    By: Ivan Sobrinho, Raissa Aragão & Cleiton Peña

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