#32 Energia sustentável: um futuro promissor!

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Pode-se dizer que um dos pilares de sustentação do estilo de vida da sociedade moderna é a eletricidade. Introduzida inicialmente no século XIX nas tecnologias de metalurgia e comunicação, a energia elétrica se impulsionou com a ação de inventores como Thomas Edison e Werner Siemens, responsáveis pela possibilidade que a eletricidade pudesse ser utilizada não só fosse utilizada por grandes indústrias, como também em advento da população no geral, seja na forma de lâmpadas incandescentes ou até mesmo locomotivas elétricas (CARVALHO, 2014).

Hoje, quase 200 anos depois das inovações destes inventores, é inegável a consolidação deste recurso na nossa rotina diária. De funções que vão de iluminação e comunicação até transporte e segurança, a energia elétrica é tão consolidada em nossas vidas que é reconhecida como um direito social por alguns autores (RANGEL, 2015). No ano de 2011, o acesso a serviços de energia elétrica atingia cerca de 97,8% dos domicílios brasileiros (IBGE, 2012).

Para uma melhor compreensão sobre como a necessidade de energia influencia a economia, sociedade e meio ambiente, é interessante ressaltar que ela pode ser classificada em diferentes maneiras. Primeiramente, uma fonte de energia pode ser renovável, quando a mesma possui a capacidade de “regenerar-se”, tornando-a virtualmente inesgotável, ou não-renovável, quando esta possui definição oposta. Pode ser primária, quando seu processamento é utilizado diretamente na produção de calor ou energia (como por exemplo, a queima de um combustível para se obter calor) ou secundária, quando a energia obtida primariamente é convertida para outro tipo de energia (como por exemplo, a queima de petróleo para movimentar um carro, onde o calor obtido pela combustão é convertido em energia mecânica). Por fim, uma definição moderna divide as fontes de energia em convencionais, sendo estas que sustentam a maior parte da demanda energética pelas populações, e alternativas, que propõe uma diversificação da matriz energética, entrando de forma a complementar a demanda, como a energia eólica (Figura 1) (SALES, 2017).

Figura 1: Campo de produção de energia eólica, uma fonte de energia secundaria, renovável e alternativa.

Disponível em: https://goo.gl/FAjCjz

Segundo o relatório anual da companhia multinacional de energia, a British Petroleum, o petróleo (Figura 2) ainda é o combustível mais utilizado na produção de energia para os setores de indústria, transporte e construção, seguido pelo carvão e gás natural, respectivamente. Nota-se uma preocupante semelhança entre os três: são todas fontes de energia não-renováveis, embora sejam a tríade de fontes de energia que sustentam o estilo de vida moderno. A empresa ainda faz uma previsão para as próximas décadas, onde a demanda por estas fontes de energia aumenta ainda mais (BP, 2018).

Diante deste fato, surge uma questão no horizonte: até quando poderemos continuar utilizando este tipo de recurso? Por serem fontes de energia não-renováveis, é sensato prever que estas tendem a se tornar cada vez mais escassas com o passar das décadas, e não é exagero algum cogitar uma crise energética em um futuro não tão distante, se continuarmos a depender tão fortemente desse tipo de matéria-prima.

Figura 2: Barris de petróleo.

Disponível em: https://goo.gl/xaV2kX

O que poderia então substituir essas fontes de energia de um modo sustentável e renovável? A resposta é mais simples do que parece. Usinas hidroelétricas, por exemplo, utilizam a energia mecânica da corrente d’água para girar uma série de turbinas hidráulicas, produzindo energia elétrica. Com os avanços dessa tecnologia, é cada vez menor a perda energética da conversão da energia mecânica para a elétrica, o que significa que com o passar dos anos esta fonte de energia se torna cada vez mais eficiente (ADEMAR, 2014). O Brasil é pioneiro na utilização desta fonte de energia, possuindo 632 usinas hidroelétricas (Figura 3) espalhadas pelo território, que produzem 34% da energia elétrica fornecida para o país (ANEEL, 2018).

Outra fonte de energia relevante, embora polêmica, é a energia nuclear. Muito se fala sobre este tipo de energia e seus riscos, porém, é inegável a sua importância para produção de energia. A técnica consiste em utilizar o calor proveniente da fissão nuclear para aquecer a água, transformando-a em vapor que move turbinas. Apesar de controversas, umas das maiores vantagens desta técnica é que ela é uma fonte limpa: A fissão nuclear não gera qualquer traço de CO2. O Brasil por sua vez, possui em atividade somente duas usinas de energia nuclear: Angra 1 e Angra 2 (BRASIL ENERGIA, 2018).

Figura 3: Usina de Itaipu.

Disponível em: https://goo.gl/r8rw8B

Mas, mesmo sendo fontes de energia relevantes, notam-se empecilhos que impedem que estas substituam completamente os combustíveis fosseis. O primeiro – e maior de todos – é o fato da transportabilidade. A energia proveniente destas fontes não é facilmente estocada e transportada, ao contrário do petróleo e do carvão. Além disso, mesmo sendo fontes relativamente limpas, essas ainda têm um impacto severo no ambiente: usinas hidroelétricas envolvem processo de desmatamento e alteração de curso de rios, e usinas nucleares geram perigosos resíduos radioativos e possuem riscos de acidentes catastróficos.

Porém, nos últimos anos, outras fontes de energia vêm ganhando espaço. Com a evolução da tecnologia, as famigeradas “fontes de energia verde” estão ganhando cada vez mais espaço na matriz de eletricidade. Estas são fontes de energia que aproveitam o potencial energético dos recursos naturais, ao mesmo tempo que causam o menor impacto possível ao meio ambiente. São algumas destas fontes, a energia fotovoltaica (Figura 4) – popularmente conhecida como energia solar –, energia eólica, proveniente dos ventos, e energia de biomassa, obtida através de processos biodegradáveis. Porém, devido ao caráter instável e imprevisível destas fontes de energia, além de sua baixa capacidade de produção, essas tem que ser utilizadas, pelo menos até o presente momento, como fontes de energia complementares, incapazes de suprir a demanda energética de uma nação inteira, por exemplo (CPERJ, 2018).

Figura 4: Fazenda de energia solar.

Disponível em: https://goo.gl/WM1gfN

Por fim, não são só as tecnologias referentes a produção de energia que evoluem, mas as pesquisas relacionadas a eficiência no uso e estocagem de energia elétrica também se encontram em constante crescimento. Atualmente, carros elétricos (Figura 5) possuem uma autonomia máxima de 160 km, antes de precisarem ser recarregados. Estima-se que com o avanço da tecnologia de baterias elétricas nos próximos anos, essa distância possa ser estendida por muitos mais quilômetros. A troca completa de combustíveis fosseis no transporte pelo uso direto de energia elétrica reduziria drasticamente o uso deste recurso e seus impactos (como emissões de gases) ao ambiente. Resta então aguardar o que o futuro nos reserva (BARAN, 2012).

Figura 5: Tesla 3, um modelo de carro elétrico.

Disponível em: https://goo.gl/WQm9EV

Diante dos fatos, não há como negar a necessidade de uma mudança no panorama da energia. Todos os dias, inúmeras tecnologias a respeito da produção e do uso da eletricidade são estudadas e criadas, nos aproximando, cada vez mais, do objetivo de utilizar de fontes de energia limpas e renováveis, de maneira sustentável, num futuro próximo.

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REFERÊNCIAS

ANEEL, RELATORIO DE ACOMPANHAMENTO DA IMPLANTAÇÃO DE EMPREEDIMENTOS DE GERAÇÃO. Agencia Nacional de Energia Elétrica, 2018.

BRASIL, Energia elétrica chega a 97,8% dos domicílios brasileiros, mostra censo demográfico. Governo do Brasil, 2011. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/editoria/infraestrutura/2011/11/energia-eletrica-chega-a-97-8-dos-domicilios-brasileiros-mostra-censo-demografico&gt;.

BARAN, R. A INTRODUÇÃO DE VEÍCULOS ELÉTRICOS NO BRASIL: AVALIAÇÃO DO IMPACTO NO CONSUMO DE GASOLINA E ELETRICIDADE. UFRJ, 2011.

British Petroleum, BP ENERGY OUTOLOOK. 2018. Disponível em: <https://www.bp.com/content/dam/bp/en/corporate/pdf/energy-economics/energy-outlook/bp-energy-outlook-2018.pdf&gt;.

CARVALHO, J. ENERGIA E SOCIEDADE. Instituo de Energia e Ambiente, USP, São Paulo 2014.

CAUS, T; MICHELS, A. Energia Hidroelétrica: Eficiência na geração.  UFSM, 2014

RANGEL, T. O RECONHECIMENTO AO ACESSO À ENERGIA ELETRICA COMO DIREITO DE SEGUNDA DIMENSÃO. Conteúdo Jurídico, 2015. Disponível em: <http://www.conteudojuridico.com.br/artigo,o-reconhecimento-ao-acesso-a-energia-eletrica-como-direito-de-segunda-dimensao,54155.html&gt;.

SALES, M. A QUESTÃO DA ENERGETICA NA ATUALIDADE. Globo educação, 2017. Disponível em: <http://educacao.globo.com/artigo/questao-energetica-na-atualidade.html>.

SIMBALISTA, O. O panorama da energia nuclear em 2018. Brasil Energia, 2018.

 

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Edição: Julho/2018.        By: Antonio Sodré; Cleiton Peña & Ivan Sobrinho.

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