#34 Bicicleta: importante aliada dos universitários na mobilidade urbana sustentável.

O crescimento constante dos centros urbanos, atrelado à necessidade de veículos motorizados tem sido foco de discussões na atualidade, pois problemas relacionados a este fato, como emissões de gases poluentes e engarrafamentos de trânsito são antagônicos à qualidade de vida. A bicicleta surge, então, como meio de transporte promissor e auxiliar na redução do contingente automotivo. Considerando que universitários representam uma parcela considerável da translocação diária urbana, é importante refletir sobre esta alternativa aos veículos de motores (FERREIRA et al., 2013).

A bicicleta surgiu em meados do século 18 na Europa. Inicialmente elaborado como um instrumento de lazer, o estudo de novas tecnologias (Figura 1) com o passar dos séculos permitiu mudanças extraordinárias à sua estrutura. Tais inovações permitiram caracterizar a bicicleta como um meio de transporte extremamente eficiente, durável e de baixo custo, características que consolidam sua popularidade até os dias de hoje (MANFIOLETE, 2013).

Figura 1 – Evolução do modelo da bicicleta.

Fonte: https://goo.gl/sU85z3

No Brasil, a bicicleta está consolidando sua popularidade. A estimativa é que o país possua mais de 65 milhões de unidades. A produção anual cresceu de 2,2 milhões em 1991 para 4,6 milhões em 2011 (ABRACICLO, 2013).

Apesar de geralmente vantajosa, é possível perceber diversas variáveis que influenciam na utilização de bicicletas como meio de transporte entre universitários (Figura 2). Num estudo realizado por Ferreira e col. (2013), foram achados diversos empecilhos para maior utilização do transporte por este grupo: as distâncias a percorrer, a orografia (estudo e demonstração do relevo), a falta de continuidade de ciclovias e ciclofaixas, pouca atratividade dos percursos e problemas específicos em relação à segurança e conforto do ciclista.

Figura 2 – Jovem universitário se locomovendo com uma bicicleta.

Fonte: https://goo.gl/fzeXhL

Já o trabalho de Ferreira e Sanches (2013) na Universidade Federal de São Carlos constatou que apenas 6,8% dos universitários utilizavam a bicicleta como transporte até a universidade. As principais razões citadas pelos entrevistados para a não utilização foram o perigo do tráfico de veículos em seu trajeto, a falta de lugares seguros para guardar bicicletas, ausência de infraestrutura, falta de prática e clima desfavorável.

Mas, de forma geral, quais são as vantagens de se utilizar esse tipo de meio de transporte ao invés de automóveis motorizados? Bem, diversos pontos podem ser levantados, mas talvez o mais atual e relevante seja a questão do meio em que vivemos. A cidade de São Paulo, por exemplo, é hoje uma das cidades que mais sofrem problemas de saúde pública, em especial de doenças respiratórias e cardíacas ocasionadas pelo alto índice de poluentes na atmosfera da cidade. São Paulo é também uma das cidades com maior número de automóveis devido a uma cultura de uso dos mesmos, fortemente difundida e incentivada na capital. A bicicleta é classificada como um meio de transporte de zero emissões, pois sua utilização não produz qualquer tipo de gases poluentes (SOARES, 2015).

Além disso, o uso de bicicleta promove benefícios para a mobilidade urbana e distribuição espacial das cidades. Por ocuparem um espaço muito menor do que um automóvel (Figura 3), problemas de trânsito e de circulação podem ser facilmente atenuados substituindo o uso de automóveis por bicicletas, por exemplo. Este fato é especialmente verdadeiro quando se trata de distâncias relativamente curtas (NIGRO, 2016).

Figura 3 – Comparação do espaço tomado por uma bicicleta e um carro moderno.

Fonte: https://goo.gl/cqnS3m

Somado aos benefícios urbanos e ambientais, o uso da bicicleta também proporciona benefícios físicos incríveis. Partindo do pressuposto que até 80% da população humana não pratica exercícios físicos o suficiente para obterem benefícios para saúde, a apresentação da alternativa de utilizar a bicicleta como meio de transporte é uma nteressante proposta para retirar a sociedade de um perigoso estilo de vida sedentário (HARTOG, 2011).

Na cidade de Vitória da Conquista existem mais de 25 km de ciclovias (Figura 4), espaços exclusivos para a passagem dos ciclistas. Boa parte deste trajeto liga diferentes bairros às universidades pública e federal da cidade, de modo que é possível sair dos Campinhos para a UESB utilizando somente ciclovias. Isto garante aos estudantes universitários uma alternativa saudável ao transporte convencional, fato ainda mais relevante em tempos de dificuldades e problemas com o transporte urbano. Além de uma alternativa mais barata e acessível, o ciclismo serve como uma atividade física eficiente para um estilo de vida mais saudável e ativo, com uma distância média de 8,5 km percorridos por semana garantindo inúmeros benefícios ao corpo. Diante do dia-dia atarefado e corrido do universitário, o ciclismo pode servir tanto como meio de transporte como atividade física (ROCHA, 2014).

Figura 4 – Ciclovia de Vitória da Conquista.

Fonte: https://goo.gl/b2sgoy

O Instituto Multidisciplinar em Saúde (IMS) possui vários estudantes, professores e servidores que habitualmente utilizam a bicicleta como seu meio de locomoção (Figura 5). Entretanto, a adesão ainda é relativamente baixa, evidenciando também a necessidade de se atentar aos fatores que desencorajam ou incentivam o uso rotineiro, assim como nos estudos supracitados. Dentre os empecilhos notáveis no município, pode-se citar a falta de continuidade das ciclovias ou ciclofaixas, pouca ou nenhuma sombra acompanhando esses trajetos e o perigo do trânsito intenso para os ciclistas.

Figura 5 – Bicicletas dos alunos do IMS.

É presumível, então, a necessidade reunir esforços de governos e grandes lideranças para a melhora da infraestrutura relacionada à mobilidade cicloviária e para campanhas de incentivo ao uso da bicicleta como forma viável de locomoção. Ressalta-se também que é nas Universidades onde se dá a formação de futuros profissionais que tomarão decisões importantes e terão papel ativo e de responsabilidade frente à sociedade. Portanto, é importante difundir esta prática nestas instituições, numa tentativa de mudança de hábitos instaurados na comunidade acadêmica. Espera-se que, fazendo parte do pelotão de frente na educação, a universidade forme conhecimento científico que integrará modelos de uma sociedade mais sustentável.

 

REFERÊNCIAS

ABRACICLO – Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares, 2013. Disponível em: <http://www.abraciclo.com.br/&gt;

FERREIRA, Dora; SILVA, João Pedro; SILVA, Ana Bastos. Impactos dos modos de transporte sustentáveis em instituições de ensino superior – o caso do instituto Politécnico de Leiria. In: Anais do 7º Congresso Rodoviário Português – “Novos desafios para a atividade rodoviária”, CRP, Lisboa. 2013.

FERREIRA, Marcos Antonio Garcia; SANCHES, S. da P. Mobilidade cicloviária em campus universitário. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE TRANSPORTES E TRÂNSITO. 2013.

HARTOG et al. Os benefícios à saúde em andar de bicicleta superam os riscos. Ciênc. saúde coletiva [online]. 2011, vol.16, n.12.

MANFIOLETE, L. A história da bicicleta e de seus usos. EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Ano 18, Nº 187, Dezembro de 2013.

ROCHA, Talita Renata Mazepas. Bicicletas e trilhos: integrando para ir mais longe. 2013. 83 f., il. Monografia (Bacharelado em Ciências Ambientais). Universidade de Brasília, Brasília, 2013.

SOARES, R. D. G., Bicicleta e mobilidade urbana. CENTRO DE ESTUDOS LATINO-AMERICANOS SOBRE CULTURA E COMUNICAÇÃO, Novembro de 2015.

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Edição: Setembro/18        By: Antonio Sodré; Cleiton Peña & Ivan Sobrinho

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