#37 Caracterização, preservação e problemas para a flora de Vitória da Conquista – Bahia.

O Brasil possui a maior diversidade de flora do mundo, possuindo mais de 55 mil espécies diferentes de plantas, valor equivalente a 22% do total de espécies do mundo. Dentro dessa rica diversidade, temos a maior quantidade de espécies de palmeiras (390 espécies) e orquídeas (2.300 espécies), sem contar com a incrível abundância de algas, gimnospermas, pteridófitas e briófitas. É inegável a relevância da vegetação natural para a manutenção dos biomas e até no dia-a-dia do homem, servindo para alimentação, medicina, vestuário e atividade industrial (BRASIL, 2012).

Esta vegetação naturalmente costuma se espalhar por onde houver condições favoráveis para o seu crescimento. Porém, com os adventos da industrialização nos últimos séculos, o grande êxodo populacional para os centros urbanos afetaram diretamente os recursos naturais e a vegetação nativa, resultando em um aumento direto da degradação ambiental, acentuada ainda mais pelos avanços tecnológicos recentes e políticas ambientais ambíguas no tocante à preservação (SANTANA et al., 2017).

Na conjuntura ambiental atual, o município de Vitória da Conquista também abrange as preocupações acerca da preservação ambiental. O município de Vitória da Conquista (Figura 01) está situado na mesorregião Centro-Sul-Baiana e na microrregião de Vitória da Conquista (JESUS, 2010), município que possui uma população de 338.885 habitantes (IBGE, 2018)

Figura 1 –  Mapa do município de Vitória da Conquista.

Fonte: Google Maps

Quanto à sua flora, pode-se notar uma concentração na região central do planalto uma vegetação de porte médio (influência direta do clima subúmido). Na parte ocidental da cidade, observam-se extratos de Caatinga, bioma característico da região semiárida. Na direção oeste se encontra predominância de vegetação arbustiva e herbácea, com grandes áreas de solo exposto; enquanto que ao extremo norte a região é caracteristicamente seca. Nos limites do município pode-se encontrar uma vegetação característica de mata de cipó, fator que favorece o desenvolvimento de atividades humanas (JESUS, 2010).

Como é possível perceber, a vegetação do município se mostra bastante heterogênea. De acordo com a PMVC (2013), suas diferenças podem ser classificadas da seguinte forma:

  • Faixa A – Caatinga ou cobertura acatingada – Vegetação típica de áreas com deficiências hídricas acentuadas, incompatíveis com a cafeicultura. Seus solos são em geral rasos, pedregosos e acidentados.

  • Faixa B – Carrasco, também conhecido como “campos gerais” ou cerrado – É uma vegetação baixa, mais aberta, típica de terra muito pobre e seca. Essa faixa é considerada inapta à cafeicultura. Ela pode ser encontrada também a sudeste da estrada Rio-Bahia.

  • Faixa C – Mata de Cipó. Esta cobertura parece ser a predominante no platô. Vem em geral logo abaixo do carrasco. É uma vegetação alta, fechada com muitas lianas, ou cipós, epífitas (orquídeas) e musgos (barba de mono). Encontram-se muitas madeiras de lei, como pau-de-leite, jacarandá, angico, etc. Também farinha-seca, ipê (pau-d’arco) são frequentes. Como vegetação secundária é abundante: corona, cipó-de-anta, pitiá, caiçara, avelone, bem como capim corrente ou barra-do-choça, além dos amargoso e tricoline.

  • Faixa D – Mata-de-Larga. É a vegetação que predomina logo abaixo da Mata-de-Cipó. Muitas vezes aparece em transição com essa. A Mata-de-Larga é mais baixa e mais aberta que a de Cipó. Apresenta muita samambaia, sapé, capim Andrequicé e muitas leguminosas. São também encontradas muitas palmeiras, planta que falta na Mata-de-Cipó. As áreas de Mata-de-Larga são mais úmidas. A vegetação secundária e a relva resultante é mais verde na estação seca que na Mata-de-Cipó. A cafeicultura deve encontrar condições climáticas satisfatórias em terras de Mata-de-Larga. A maior disponibilidade hídrica deve reduzir os problemas com incidência de ferrugem. Praticamente esta vegetação encontra-se toda a sudeste da Rio-Bahia.

  • Faixas E e F – Mata Fria e Mata Fluvial Úmida – São as vegetações que aparecem nas bordas e nas escarpas sudeste do platô, logo depois da Mata-de-Larga. São áreas úmidas que estão sob influência das correntes aéreas frias e úmidas vindas do oceano. Os invernos são muito sujeitos a frequentes e prolongados nevoeiros. Em plena estação seca a vegetação herbácea se mantém inteiramente verde. A mata não apresenta praticamente nenhuma madeira de lei. Predomina a madeira branca.

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Vitória da Conquista (SEMMA/VC) se responsabiliza por todos os assuntos referentes as políticas de desenvolvimento e preservação do meio ambiente no município, focando suas ações em práticas sociais e econômicas em equilíbrio com a natureza (SANTANA et al., 2017). Neste sentido, diversas medidas têm sido adotadas para preservação da vida vegetal na cidade. Dentre as mais relevantes está o Programa “Adote uma Praça” (Figura 2), a qual foi instaurada pela Lei Municipal nº 1649/09. A atividade busca a conservação da vegetação local e a estética de espaços públicos, atuando em parceria do poder público e iniciativa privada, em busca da preservação do bem público. O programa consiste basicamente no custeamento de manutenção da praça por uma entidade social participante, em troca da disponibilização de um espaço de publicidade referente a conservação e manutenção daquele local para a mesma (PMVC, 2015).

Figura 2 – Praça Guadalajara, que foi adotada pela empresa Prisma Incorporadora.

Fonte: https://bit.ly/2QaBr6g

Outra importante medida do órgão foi a criação da Semana Municipal de Meio ambiente. A sua primeira edição teve início no dia 18 de junho de 2018. O evento do presente ano girou em torno do tema “Cidade para Pessoas – Construindo uma Conquista Sustentável”. Dentre os acontecimentos do episódio, destaca-se o lançamento de um Manual de Arborização Urbana e a assinatura do Decreto de Tombamento de árvores imunes ao corte (PMVC, 2018a).

É possível ainda citar mais uma importante iniciativa implementada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente: o “Projeto Minha Árvore”, que consiste na doação de mudas de árvores aos cidadãos, colocando sobre eles a responsabilidade de manutenção das mesmas. Para a disponibilização das mudas, é realizada uma visita técnica no terreno ao qual se pretende realizar o plantio para que se possa saber qual espécie de árvore será mais adequada ao local. As mudas podem ser solicitadas na própria Secretaria do Meio Ambiente, mas infelizmente, até agora, o projeto ainda possui uma receptividade baixa (SANTANA et al., 2017).

No dia 25 de junho de 2018, a Prefeitura Municipal instaurou a criação do Parque Ambiental, através do Decreto n 18.720. A área referente ao parque compreende o entorno do Rio Verruga até as imediações do Anel Viário. A atitude busca a preservação dos biomas locais e naturais da região do município. Além disso, a SEMMA está realizando a implantação de um Ecoponto, um espaço destinado ao encontro de pessoas da comunidade e profissionais da área ambiental com o objetivo de discutir ações para revitalização do Rio Verruga (PMVC, 2018b).

Criado pelo decreto n 9.480/99, o Parque Municipal da Serra do Periperi (Figura 3) é uma unidade de conservação que envolve cerca de 1300 hectares distribuídos em uma área de 15 km2 de extensão. O intuito da criação do parque é principalmente buscar impedir a ocupação e desmatamento não planejados na região, provenientes principalmente de atividades de mineração como extração de areia e cascalho. O parque também busca conservar a fauna e flora, bem como suas nascentes e conformações topográficas naturais (PMVC, 2012).

Figura 3 – Imagem aérea de parte da reserva do Parque Ambiental da Serra do Periperi

Fonte: https://bit.ly/2DYOTTt

A Serra do Periperi outrora possuíra uma vasta cobertura vegetal, que ao longo dos anos foi reduzida cada vez mais pelas atividades antropológicas na região, afetando também as nascentes do Rio Verruga, localizado na serra. Um dos maiores problemas para a Serra do Periperi são as inundações, que causam, sobretudo, o assoreamento dos rios, reduzindo a disponibilidade de águas fluviais para as florestas, consequências diretas da atividade de desmatamento. Por causa de características topográficas inerentes do local, como declividade acentuada e solo arenoso, estas áreas estão sujeitas a desmoronamentos e enxurradas, sobretudo em épocas chuvosas. Em diversos bairros no entorno da Serra a situação se repete. A ocupação destes locais é facilitada pela desvalorização dos terrenos em razão dos condições geomorfológicas da região, e a população desta região sofre diretamente com os constantes desmoronamentos devido a inexistência de estruturas adequadas para a contenção das mesmas, caracterizando uma região de risco (SILVEIRA, 2011).

Com isto, é fácil perceber que a preservação da vegetação natural não é só uma questão estética. As possibilidades de integração e envolvimento da comunidade em prol de um objetivo sustentável são imensas, e iniciativas de conservação e conscientização precisam ser incentivadas pelos órgãos públicos, como já tem sido observado na cidade através dos exemplos supracitados. Mas ainda há muito a ser feito. Caso contrário, como visto, as consequências podem ser realmente desastrosas.

Uma participação de forma ativa da comunidade como um todo nas iniciativas de preservação e de conscientização é fundamental, desde os maternais até os grupos com idade mais avançada. Mais do que conseguir a conservação e a manutenção da vegetação de forma momentânea, é imprescindível que a população saiba a importância da flora do município para uma vida melhor para todos. Assim, a comunidade será mais ativa na cobrança por ações neste sentido e, passará a considerar tal fato na escolha dos gestores municipais. Dessa forma, será possível conseguir uma sociedade cada vez mais humana e sustentável.

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Referências

BRASIL. Flora é reconhecida como uma das mais importantes do mundo. Governo do Brasil, 2017. Disponível em http://www.brasil.gov.br/noticias/meio-ambiente/2012/04/flora-brasileira. Acesso em 02 dez. 2018.

JESUS, R. B. Os recursos naturais e sua exploração na formação territorial do Município de Vitória da Conquista-BA. Enciclopédia Biosfera, v. 6, n. 9, p. 1-13, 2010.

PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA DA CONQUISTA (PMVC). Parque da Serra do Periperi, 2012. Disponível em http://www.pmvc.ba.gov.br/parque-da-serra-do-periperi/. Acesso em 02 dez. 2018.

PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA DA CONQUISTA (PMVC). Geografia, 2013. Disponível em http://www.pmvc.ba.gov.br/geografia/. Acesso em 02 dez. 2018.

PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA DA CONQUISTA (PMVC). Programa “Adote uma Praça”, 2015. Disponível em http://www.pmvc.ba.gov.br/programa-adote-uma-praca/. Acesso em 02 dez. 2018.

PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA DA CONQUISTA (PMVC). Semana Municipal de Meio Ambiente tem início em Vitória da Conquista, 2018a. Disponível em http://www.pmvc.ba.gov.br/semana-municipal-de-meio-ambiente-tem-inicio-em-vitoria-da-conquista/. Acesso em 02 dez. 2018.

PREFEITURA MUNICIPAL DE VITÓRIA DA CONQUISTA (PMVC). Prefeitura inicia implantação do Parque Ambiental, 2018b. Disponível em http://www.pmvc.ba.gov.br/prefeitura-inicia-implantacao-do-parque-ambiental/. Acesso em 02 dez. 2018.

SANTANA, F. S., Dantas, M. Z., Teixeira, S. S., & dos Santos, J. A. G. Gestão pública ambiental: uma análise dos projetos ambientais da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Vitória da Conquista-Bahia. Ciclo de Estudos de Debates sobre Cidades Médias e Redes de Empresas, 2017.

SILVEIRA, P. A. INDICADORES DE VULNERABILIDADE E CLASSIFICAÇÃO DE ÁREAS DE RISCO AMBIENTAL NA VERTENTE SUL DA SERRA DO PERIPERI EM VITÓRIA DA CONQUISTA-BAHIA–BRASIL. Revista Geográfica de América Central, v. 2, p. 1-15, 2011.

 

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Edição: Dezembro/2018   By: Antonio Sodré; Cleiton Peña & Ivan Sobrinho.

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